segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Busca

Fim de um novo ano
Não significa fim de busca
Continuo  a procurar-te
Busco -te todos os dias
Procuro-te...
Encontro-te onde não deverias estar
Não te encontro onde deverias estar
E vivo em permanente procura .

Quando te encontrar não sei o que
Vou fazer

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

hora da morte



O sol batia-me nos olhos e cegava-me
o vento suprava-me nos ouvidos e falava-me
as mãos tremiam pelo frio que fazia
e o coração ardia de compaixão...
Éramos poucos ali instalados na imensidão do cemitério
Coloquei a voz para que fosse ouvida por todos
ninguem respondeu e ninguem falou
olhares envergonhados e cabisbaixos..
Pensei naquela vida que ali se despedia
imaginei os 70 anos vividos por aqui, por aí
Pensei nas alegrias e sofrimentos vividos
e perguntei por ti: onde estiveste ?
Por onde andaste? onde te revelaste?
E o meu pensamento foi interrompido
alguém clamou: nem um filho nesta hora".
O abandono de ti imaginado
foi abandono de veras vivido na hora da morte.
E sepultamos aquela vida, sem lágrimas
sem dor nem piedade.
Já a caminho de casa, no meio da confusão da cidade
o meu coração exclamava:
"onde estiveste? onde estas? para onde vás?"

terça-feira, 6 de novembro de 2018

E depois ... tu

Noite, escuro, frio, duvida, medo,
Ao longe ouço os sons da vida,
As luzes assinalam vida 
No silêncio ....
Sentado olho o horizonte e penso 
Rio e choro de felicidade.
Estás e ao mesmo tempo não estás
Conheço-te e és estranho 
Vejo-te e não te reconheço 
E é bom estar assim . 
Reencontro-me comigo 
E neste reencontro estás ausente
Fico tranquilo 
Estás ausente e estás tão próximo
Eu estou aqui 
Hoje como ontem 
Se não nos encontramos
É porque não queres
É isso é bom 
Sou eu 
E tu serás tu ? 
Desejo que sim