sábado, 18 de julho de 2026

era um dia de verão

Era um dia de verão. O sol estava no seu auge. Era meio dia. 
Da mata ao lado faziam-se ouvir os sons das cigarras, o crepitar da vegetação e havia no ar cheiro a mato . 
A avó estava sentada num banco pequeno como ela aproveitando a simbra da parreira feita de verdura meio seca. 
O tempo parecia ter parado e o relógio sineiro adormecera. 
Lembro a conversa sem sentido que ali trocamos; lembro o cheiro a terra e a sensação de que ali estava o mundo inteiro . 
Era mais um dia e era o único dia. 
Passaram muitos anos . Tenho saudades daquela paz e daquele silêncio mesmo sendo eles símbolo de pobreza. 
Queria voltar 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A dor da Verdade ( amor com dor )

Não és de outro planeta; não és estranho; não estás longe nem fora . És daqui; estás aqui e vives aqui … mais … fazes parte de mim . 
Mas mesmo sendo assim … não és meu… pareces estranho e por vezes ausente. 
E vivo obsecado por te prender a mim e seres só meu todo meu e sempre meu..
De manhã procuro-te e… não estás 
Ao meio dia sento-me à mesa e… não estás
A tarde chamo por Ti e… não respondes
A noite deito-me e… o lugar que era Teu está vazio. 
Adormeço e penso que sonho é desejo o impossível . É nós meus sonhos vejo o Teu sorriso, ouço a Tua voz e sinto o Teu cheiro . Parece que estás aqui . 
Depois acordo e fico com a única certeza que tenho: sonhei contigo. 
E apesar do sonho Tu és tão real, tão presente e tão meu que chego a pensar que não sonhei. 
Depois vivo os meus dias e as minhas horas na busca de Ti: onde estás? Porque não te vejo? Para onde foges? 
E a dor que sinto desaparece porque relembro o dia a hora o minuto… cada palavra cada gesto cada sorriso e … sei que és real . E és meu todo meu e sempre meu . Mesmo que longe e ausente sei que estás. 
Preciso de Ti; quero-te aqui. Serei sempre Teu onde quiseres quando quiseres como quiseres.
Se puderes mostra-te… mostra-me o teu rosto e serei Teu. Mas mesmo que não mostres seguir-te-ei e serei teu . Irei para onde me indicares; viverei por Ti e um dia … morrerei por Ti. 
Teu sempre Teu … até ao fim . 

encontrei o meu servo …

Li hoje o texto bonito expressivo da Tua amizade com David Teu servo . Nele dizes que encontraste David teu servo . Estarás sempre a se lado e lhe darás tudo o que ele precisa . Sinto hoje que sou David . … mas ainda não sinto que estás a meu lado . Vivo perdido, sem saber quem sou, o que sou e porque estou aqui . 
A Tua presença sinto ( se é Tua presença) neste pequeno amigo fiel que um dia ( vai para um ano) puseste a meu lado . Vejo-o feliz, indiferente, brincalhão como se a vida fosse bonita e fácil . Segredo-lhe ao ouvido e peço -lhe que seja meu interlocutor . Talvez esteja perto de Ti e te possa falar de mim . Porque eu sinto-me longe e sem reconhecimento diante de Ti. 
Se puderes e quiseres ouve o que tem para Te dizer . 
Eu continuarei a procura e continuo a interrogar-me quem és ? Onde estás? Porque não te vejo? Porque não estás quando preciso de Ti ? 
Eu sei… onde Tu estás, regressa a vida . Dá-me então a vida . 
Só, sem Ti, sem nada, sem ninguém … vsgueio pelo deserto imenso … choro… desânimo e fico triste . 
Mas sei que o deserto sendo embora imenso … tem um fim . Lá chegarei . Não fujas eu vou encontrar-Te. 
Teu … todo teu… sempre Teu . 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

luz quando não há luz

Sem mais nem menos ficamos sem luz, sem água , sem comunicação . E no meio da tempestade eu encontrei a luz . 
Lenta , serena, firme e segura . Surgiu, entrou em minha casa e iluminou. Não o espaço mas a vida . 
Quem és tu que assim irrompes e entras na minha vida? Quem és tu que sempre aqui estiveste e nunca te vi ? Quem és tu que me dá alento, me anima, me preenche e que sempre quis e nunca tive, apesar de sempre aqui teres estado? 
Terei nascido para te conhecer ? Terei sido pensado para contigo me cruzar ? 
Que luz é esta que ilumina a minha casa e dá sentido ao que sou ? 
Sem ti estou aqui mas não estou . Sem ti vejo mas não conheço . Sem ti estou mas não sou . E agora sei que preciso de ti . 
Luz, brilho, claridade, calor . A vida transforma-se e o mundo parece outro . Candeia que ilumina não para ver melhor  mas para ser melhor . E deixo-me sorrir porque agora sim a vida resplandece. O que ontem não era agora é. O que ontem não existia agora existe . Porque és verdade, és claridade e és vida . 
Obrigado luz por seres luz e não seres escuridão . 
Assim te quero e te desejo; assim te busco e em ti repouso . Assim vale a pena viver . 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Banco da Praça III

Cá estamos .
 Estranho, no espaço  de poucos  dias a mesma hora virou noite, já escura. Foi-se o chilrear das andorinhas e voam no castelo os morcegos . A natureza no melhor do seu ciclo. Gosto de ver e registar . 
A praça agora é nossa …. SÓ NOSSA…. Minha e da Thalita .
 Deixo-a farejar os recantos e fico-me nos meus pensamentos . 
Estranho o ciclo da vida … e mais estranho por ser tão repetitivo e ao mesmo tempo novo e de uma agradável novidade . Vou percebendo que quando nos deixamos tocar e até dominar, a vida e os momentos da vida ganham outro sentido . Tudo se torna novo e tudo é agradável . Há paz, há serenidade, há confianca, tranquillidade e obviamente há amor . Sim o amor é isso mesmo: paz e confiança . 
No castelo há festa . Mas é tão bom estar lá sem lá estar; é tão bom simplesmente ser eu próprio . Como estou aqui na praça nesta noite serena. 
A Thalita saltou e sentou-se ao meu lado . Ambons gozamos e aproveitamos o silêncio da noite . Tão bom . Talvez nos deixemos dormir neste banco da praça. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

banco da praça II

Ca estamos de novo …
Eu e ela .,
Praça vazia . Noite caindo de forma serena e tranquila . 
Jean Paul Sartre sentava-se no banco de jardim para dizer mal de todos de tudo e da vida . Caia na Nausea que achava ser o Destino da humanidade. E regressava a casa rabujento pessimista e enraivecido. 
Eu sento-me neste banco e ao ouvir as andorinhas a chilrear ao ver as luzes em meia claridade ao sentir esta paz e tranquilidade penso como a vida è bela como gosto de viver e como è tão bom estar aqui e agora. 
A Thalita fareja corre senta-se e de novo se levanta para correr. Parece feliz . Como eu . 
Que bom estar aqui sem ser daqui . Que bom não ter Nausea . 
Creio que Sartre perdeu uma bela oportunidade para ser grato a quem um dia lhe deu a vida e um banco de jardim. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

banco de Praça I

Sentei-me no banco da praça.
 Está agora mais calma , porque as ultimas semanas têm sido de constante movimento. Dias longos foram dias de festa. 
Agora os dias já são mais curtos ( já è noite) e a praça voltou ao silêncio . 
Gosto dos dois momentos. Mas prefiro este . 
Agora a praça è minha , e da Thalita, minha companheira. 
Sento-me no banco e solto-a.
Fico a pensar …..
Gosto da noite calma e tranquila. Gosto de ouvir os grilos a cantar ( è assim que se diz?) e gosto de ficar aqui a pensar . 
Hoje è o primeiro post feito aqui… será, espero, o primeiro de muitos em que esplanarei os meus pensamentos, porque penso vir aqui todos os dias . 
Agora estou desejoso que cheguem as noites escuras, frias e silênciosas.
 Veremos . 
Até amanhã . 
Amo esta tranquilidade .