Estamos nos
finais do séc. XI e princípios do séc. X a.C. momento da constituição de Israel
como Povo.
David reuniu
sobre a sua cabeça as duas coroas – a de Israel (Norte) e a de Judá (Sul). Após
a união, David teve de eleger uma capital para o seu reino. A cidade de
Jerusalém e tornou-se, desde então, a “cidade de David”. Mais tarde, David fez
transportar para Jerusalém a “Arca da Aliança” (o sinal visível da presença de
Deus no meio do seu Povo), convertendo assim a nova capital do reino em cidade
santa para todas as tribos (cf. 2 Sm 6,1-23).
A primeira
leitura apresenta a “promessa” de Deus a David. Deus anuncia, pela boca do
profeta Natã, que nunca abandonará o seu Povo nem desistirá de o conduzir ao
encontro da felicidade e da realização plenas. A “promessa” de Deus irá
concretizar-se num “filho” de David, através do qual Deus oferecerá ao seu Povo
a estabilidade, a segurança, a paz, a abundância, a fecundidade, a felicidade
sem fim.
O texto que
nos é proposto apresenta-nos os últimos versículos da Carta aos Romanos. O conceito que preside a estes versículos é o
conceito de “mistério” (mystêrion”). O “mistério” refere-se ao plano de
salvação que Deus tem para os homens e para o mundo. Mantido em segredo durante
muitos séculos, o “mistério” foi plenamente manifestado em Cristo, nos seus
gestos, nas suas palavras, sobretudo na sua morte e na sua ressurreição;
revelado É por esse “mistério”, que reflecte o amor de Deus pelos homens, que o
autor destes versículos pede que “seja dada glória pelos séculos dos séculos”…
E a comunidade interpelada responde: “amen” (vers. 27).
A segunda
leitura chama a esse projecto de salvação, preparado por Deus desde sempre, o
“mistério”; e, sobretudo, garante que esse projecto se manifestou, em Jesus, a
todos os povos, a fim de que a humanidade inteira integre a família de Deus.
O texto que
nos é hoje proposto pertence ao “Evangelho da Infância” a cena situa-nos numa
aldeia da Galileia, chamada Nazaré.
Maria, a jovem
de Nazaré que está no centro deste episódio.
A visita do
anjo destina-se a apresentar à jovem de Nazaré uma proposta de Deus. Essa
proposta vai exigir uma resposta clara de Maria.
A Maria, Deus
propõe que aceite ser a mãe de um “filho” especial…
O relato
termina com a resposta final de Maria: “eis a serva do Senhor; faça-se em mim
segundo a tua palavra”. Afirmar-se como “serva” significa, mais do que humildade,
reconhecer que se é um eleito de Deus e aceitar essa eleição, com tudo o que
ela implica – pois, no Antigo Testamento, ser “servo do Senhor” é um título de
glória, reservado àqueles que Deus escolheu, que Ele reservou para o seu
serviço e que Ele enviou ao mundo com uma missão (essa designação aparece, por
exemplo, no Deutero-Isaías – cf. Is 42,1;49,3;50,10;52,13;53,2.11 – em
referência à figura enigmática do “servo de Jahwéh”). Desta forma, Maria
reconhece que Deus a escolheu, aceita com disponibilidade essa escolha e
manifesta a sua disposição de cumprir, com fidelidade, o projecto de Deus.
O Evangelho
refere-se ao momento em que Jesus encarna na história dos homens, a fim de lhes
trazer a salvação e a vida definitivas. Mostra como a concretização do projecto
de Deus só é possível quando os homens e as mulheres que Ele chama aceitam
dizer “sim” ao projecto de Deus, acolher Jesus e apresentá-l’O ao mundo.

