Na fase final do exilio, as notícias das
vitórias de Ciro, sobre os babilónios, fazem esperar um rápido desmoronar do
império babilónico e a libertação dos judeus exilados… Mas, se essa libertação
chegar – perguntam os exilados – a quem é que deve ser atribuída: ao Deus de
Abraão, ou aos deuses persas? Se é a Senhor, porque é que Ele escolheu um
estrangeiro e não um membro do Povo de Deus para realizar a obra maravilhosa da
libertação?
Surge assim o profeta com uma mensagem
que se destina a consolar os exilados (os capítulos 40-55 do Livro do Profeta
Isaías chamam-se, precisamente, “Livro da Consolação”) e apontar-lhes novas
razões para ter esperança.
O profeta é, pois, enviado por Deus a
anunciar “ao coração de Jerusalém” que a “consolação” do Senhor está próxima
(vers. 1). A imagem do “falar ao coração” sugere a relação de amor entre Deus e
o seu Povo, entre o amado e a amada… Deus “fala ao coração” do seu Povo, com
amor e ternura, a fim de o consolar.
Em que consiste essa “consolação”?
A Segunda Carta de Pedro apresenta todas
as características de uma “carta testamento”, como se o autor, sentindo
aproximar-se a morte, quisesse transmitir uma última e decisiva mensagem a um
grupo de pessoas a quem se sente particularmente ligado (habitualmente,
familiares, amigos ou discípulos).
Os crentes devem esforçar-se, segundo
este “testamento”, por preparar adequadamente a segunda vinda de Jesus Cristo,
sem se deixarem manipular por doutrinas contrárias ao Evangelho e ao
ensinamento recebido da tradição apostólica.
A segunda leitura aponta para a parusia,
a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância – isto é, a vivermos dia a
dia de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do
mundo e na construção do Reino. Se os crentes pautarem a sua vida por esta
dinâmica de contínua conversão, encontrarão no final da sua caminhada terrena
“os novos céus e a nova terra onde habita a justiça”.
No Evangelho, deparamo-nos com a grande
figura do Advento que é João Batista. O corpo central do nosso texto
apresenta-nos a missão de João Baptista (vers. 2-3), a sua pregação (vers. 4),
a reacção dos ouvintes (vers. 5), o seu estilo de vida (vers. 6) e o testemunho
de João sobre Jesus (vers. 7-8).
Qual é, pois, a missão de João? De
acordo com o nosso texto, é ser o “mensageiro” que prepara o caminho para o
“Messias”, “Filho de Deus” (vers. 2).
Em que consistia a pregação de João?
João “apareceu no deserto a proclamar um batismo de penitência para remissão
dos pecados” (vers. 4). O “batismo de penitência” (literalmente, “batismo de
conversão” – ou de “metanoia”) proposto por João deve ser entendido neste
contexto e representa um convite à mudança radical de vida, de comportamento,
de mentalidade.
Em resumo: João é o mensageiro, enviado
por Deus para preparar os homens para a chegada do Messias. A mensagem
transmitida por João – com a palavra e com a própria atitude de vida – é um
apelo veemente à mudança de vida e de mentalidade, a fim de que a proposta do
Messias libertador encontre lugar no coração dos homens.

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