A segunda semana do Tempo do
Advento é um desafio forte e veemente ao arrependimento. Encontramo-nos com a
figura enigmática, rude e austera de João Batista. Ouvimos os seus gritos
ruidosos e persistentes que clamam no deserto “preparai os caminhos do Senhor”.
E sentimos de forma intrigante e algo incomodativa o seu desafio maior
“arrependei-vos! Praticai ações que sejam conformes a vosso arrependimento”.
Parei por estes dias para pensar
um pouco sobre este arrependimento. Interroguei-me sobre a sua necessidade que
parecia por em questão os esforços que diariamente procuro fazer. Sim porque se
todos os dias tento crescer e praticar ações conformes à fé, porque razão me
devo mais uma vez arrepender? Sei que os esforços serão sempre omissos, poderei
sempre ir mais longe. Mas também me parece que a necessidade do perdão
continuado e do arrependimento me leva a questionar sobre a utilidade dos
esforços que de forma consciente e séria tenho feito.
No meio da divagação e até do
desconforto destas ideias, o disco rígido do PC acusou falta de espaço. Logo
agora que tinha mil e um arquivo para salvar e guardar. A solução foi a mais
obvia: libertar espaço apagando ficheiros antigos e até programas desnecessários.
Lixo que ao longo dos tempos se foi acumulando e ocupando espaço, impedindo que
ficheiros novos fossem guardados. Foi um trabalho longo e moroso, de uma manhã
inteira.
E ao meio dia encontro-me
serenamente no silencio da oração e ouço uma voz, qual João Batista clamando no
deserto: Liberta espaço no teu coração; prepara um lugar para que o salvador
possa entrar nele e habitar em ti”.
Afinal o arrependimento é mesmo
necessário, mesmo que entendido como libertação do lixo que no meu interior
ocupa espaço que o Menino-Deus pretende ocupar.