quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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A segunda semana do Tempo do Advento é um desafio forte e veemente ao arrependimento. Encontramo-nos com a figura enigmática, rude e austera de João Batista. Ouvimos os seus gritos ruidosos e persistentes que clamam no deserto “preparai os caminhos do Senhor”. E sentimos de forma intrigante e algo incomodativa o seu desafio maior “arrependei-vos! Praticai ações que sejam conformes a vosso arrependimento”.
Parei por estes dias para pensar um pouco sobre este arrependimento. Interroguei-me sobre a sua necessidade que parecia por em questão os esforços que diariamente procuro fazer. Sim porque se todos os dias tento crescer e praticar ações conformes à fé, porque razão me devo mais uma vez arrepender? Sei que os esforços serão sempre omissos, poderei sempre ir mais longe. Mas também me parece que a necessidade do perdão continuado e do arrependimento me leva a questionar sobre a utilidade dos esforços que de forma consciente e séria tenho feito.
No meio da divagação e até do desconforto destas ideias, o disco rígido do PC acusou falta de espaço. Logo agora que tinha mil e um arquivo para salvar e guardar. A solução foi a mais obvia: libertar espaço apagando ficheiros antigos e até programas desnecessários. Lixo que ao longo dos tempos se foi acumulando e ocupando espaço, impedindo que ficheiros novos fossem guardados. Foi um trabalho longo e moroso, de uma manhã inteira.
E ao meio dia encontro-me serenamente no silencio da oração e ouço uma voz, qual João Batista clamando no deserto: Liberta espaço no teu coração; prepara um lugar para que o salvador possa entrar nele e habitar em ti”.
Afinal o arrependimento é mesmo necessário, mesmo que entendido como libertação do lixo que no meu interior ocupa espaço que o Menino-Deus pretende ocupar.

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