quinta-feira, 21 de junho de 2018

Sei de um rio

Sei de um rio
Que corre apressado para o mar
Sei de um rio
Que estagnou o seu percurso
Sei de um rio
Que se perde num abraço
Sei de um rio que seca o seu caudal

E pergunto-me que água levas tu
Que peixes nadam em ti
Que  vida se sente em ti
Que rio es tu

Sei de um rio que sou eu
Sei de um mar que es tu
E quero desaguar em ti
Porque de ti nasci
E em ti quero morrer

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Sementes de outro reino

Acordar de manhã e sentir o ar pesado
Sair para a rua e não ver ninguém
Correr para o trabalho e não querer estar
Ouvir as notícias e sentir-se fora
Tudo isto e muito mais aqui e agora
Porque não estás e porque não sei de ti

Manhãs de Primavera nebulosas 
Dias de sol envergonhado
Noites de luar sem luz 
E em tudo te procuro 
E não te encontro

Sozinho na rua vagueio
Penso se existo ou já não sou
Grito teu nome ao vento
E perco-me na Tua imensidão 
Porque sou teu 
Porque és meu 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

E se Deus escrever por linhas tortas ?

Não faz sol 
Quando eu quero
Não chove 
Quando eu quero
Não há 
O que quero
Há o que não quero
É doce 
Quando queria amargo
Amarga quando queria doce
Faz-se noite
Quando queria dia 
É dia 
Quando queria noite

E pergunto 
Porque não é como quero?
Porque é
Como não quero?

As linhas do meu caderno 
São tortas
E vejo que tu
Escreves direito

Que bom seres assim 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Viver ou morrer

Há vidas que se perdem por se quererem encontrar 
Há histórias que se esquessem por se lembrarem
E há dias que se desdobram em noites escuras

Marcaste de forma indelével a tua presença 
Tornaste-te presente quando te ausentaste
O longe tornou-se perto
O distante tornou-se perto

Hoje estás em corpo e sangue
E no teu morreu encontro o meu viver
E alegro-me por me escolheres 
E fico feliz por ser só teu 

Que esta paz chegue a outros 
Que se perdem na escuridão da inveja
Do ódio e do egoísmo 

sábado, 26 de maio de 2018

Imprevisível

Perguntei por Ti
Quis saber quem eras
Onde moravas
De onde vinhas
Para onde ias

Disseste apenas
"Vem ver"

Fui ver
E nesse dia fiquei contigo

Ainda hoje aqui estou
O tempo não passou
O vento não suprou

As vezes não te vejo
Não sei se estas
Depois encontro-te
Onde não estavas
E onde ninguém pensa que estas
Querem que te encontre
E revelam-me espaços novos
Neles te procuro
E não te encontro

Descobri o teu segredo...
...afinal estas onde ninguém
Te procura
Porque ninguém te domina
E estas onde só tu queres

Como te quero
Por seres assim imprevisível

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Es mau por eu ser bom ?

De noite descia a escada onde Jacob dormia. De noite cruzava o jardim onde agonizavas. De noite cruzei a estrada onde as luzes se apagavam. De noite abria a janela do quarto onde dormia . De noite falava no silencio que me consumia.
E parei.
Vi-te por entre as árvores do jardim. Corrias apressadamente.. segui-te de longe. Não me vias.
Encontrei-te depois. Descobri a dor que te afligia. Afinal eras e não eras; estavas e não estavas; querias e não querias; amavas e não amavas...aliás odiavas ate.
Estranho o que conseguimos ser quando não conseguimos que os outros sejam o que queríamos que fossem ; estranho o que nos tornamos quando alguém nos vence e nos inquieta . Estranho o que te tornas-te por não me dominares e por eu ser o que sou e sempre serei....com ou sem ti

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Quero-te..

Quero-te...quero-te tanto e doi-me o peito por não conseguir dizer-te quanto te quero .
E se me perguntas porque não digo o quanto te quero respondo que o tempo é curto demais para te dizer o tanto que te quero.
Quero-te e é um mistério a intensidade do quanto te quero porque nem eu sei medir o tanto que te quero.
Mas quero-te.... e não sei de ti....quem es e onde estas. Que estranho este meu querer tão intenso.