Parar por uns
breves momentos e refletir sobre os caminhos percorridos, as velocidades
alcançadas e as metas buscadas, traz o amargo gosto da constatação da inercia
que habita em nós. Diz-se por aí que precisamos “sair da zona de conforto”
porque na verdade vivemos demasiado seguros, tranquilos (?), nas nossas
certezas de sempre. Preferimos na verdade o adágio que preconiza que “em equipa
que ganha não se mexe” e aí vamos nós fechados nos hábitos, ditos e feitos de
outros tempos. A todo o custo queremos implementa-los nos tempos que são outros
e por vezes são até antagónicos. Como se pode hoje querer que os mais novos
brinquem às escondidas como outrora fazíamos. Fazíamos porque não havia mais
nada para fazer. Hoje com tanta variedade e tanta solicitação, porque teimar em
fazer o que se fazia há 30, 40 ou 50 anos?
E lentamente
vamos matando o Espirito que há em nós e que se define precisamente por ser
inovador e descobridor de novos caminhos.
E se aplicarmos
à fé, à religião, estas ideias ficamos com um chuvilho de aberrações,
alienações que para além de serem estéreis provocam até o afastamento e a
distancia. Cheiram a bafio muitas das nossas igrejas e das nossas sacristias,
porque nelas se amontoam esquemas, papeis e estratégias de outrora. E o bafio
tende a tornar-se putrefacto e a gerar mortes lentas e agonizantes.
Precisamos muito
de abrir as janelas e deixa entrar ar novo. Sim, mete medo (sobretudo para quem
gosta de ficar instalado nas certezas de ontem), é um risco, mas é também um
desafio e uma aventura que por si só (como gesto) fala da verdade que anima a
nossa fé: “o vento sopra onde quer, ouves a sua voz mas não sabes de onde vem
nem para onde vai” assim é o Espirito que anima a Igreja. Deixemos que esse ar
entre na nossa sala.
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