domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sessenta segundos

O tempo que não tenho é o tempo que me atrofia. Na rádio ouço uma entrevista a não sei quem. Só sei que se afirma e assume como um descontente na e com a vida . Voz grave doída e sofrida faz com que consiga imaginar um rosto triste e austero . Fala do tempo, que gostaria  não existisse porque as horas marcam um sofrimento cada vez mais sofrido. E diz que queria morrer se possível longe, sozinho e por todos esquecido e ignorado.
Paro o carro, dirijo para este ilustre desconhecido a minha prece. Peço que o tempo lhe seja favorável. Porque a mim o tempo que não tenho é que me atrofia. O que tenho é tão cheio e preenchido que chego a não ter tempo para maldizer o tempo. E queria que me desse o seu tempo para preencher.

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