Das virtudes que
mais aprecio na vida humana e crista, a simplicidade sobressai ao pondo de
perder a sua essência e deixar de ser simples. Torna-se grande por ser tão
simples. Torna-se forte por ser tão simples.
Desde sempre
apreciei a capacidade de ser simples, com tudo o que isso significa: natural,
naif, verdadeiro e alegre. Sorrisos simples são arrasadores e palavras simples
tocam no coração.
Da mesma forma
estruturas e projetos simples acabam por baralhar e confundir os mais complexos
e complicados esquemas mentais de muitas cabeças. Considero por isso uma arte,
uma grande arte, a capacidade de “traduzir em miúdo” esquemas e ideias “graúdos”.
E sei também quanto isso é difícil e arriscado.
A recente
vitoria portuguesa no festival da canção eurovisão é mais uma demonstração de
como a ingenuidade baralha e confunde; a atitude do Papa Francisco nos seus inúmeros
desvios de protocolo arrasta multidões porque nesses momentos ele é natural,
simples, algo infantil. Sim talvez seja isso mesmo que está em questão: temos
uma força irresistível que nos atrai a sermos e a apreciarmos a criança que
fomos e que o tempo nos obrigou a deixar de ser. O tempo? Talvez as manias complicadas
dos esquemas mentais dos homens.
Parece que tudo
seria tão simples e belo se todos tivéssemos a coragem ou a simplicidade de ser
simples. Talvez seja esta uma utopia demasiado simples. Por isso também atrativa.
Mas, por mim, quero rever-me nela e espero ser simples ao ponto de acreditar
que ela é possível.
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