Maravilhado e até comovido, assim fiquei, ao descobrir e ao refletir a caminhada da liturgia nestes meses de verão. Com 28 anos de sacerdócio nunca como este ano havia reparado nesta beleza e neste desafio. Estou, por isso, grato à Igreja que desenvolveu e esquematizou o ano litúrgico e a caminhada litúrgica.
Julho iniciou com o desafio a deixar as “obras da carne para nos afeiçoarmos ás do Espírito”. Na sombra de uma tarde soalheira questionei-me: como posso fazer isso?”. Eu queria mesmo deixar as obras da carne e entregar-me fielmente ás do Espírito. Era o dia 5 de julho e eu celebrava os meus 28 anos de sacerdócio. Reunido com os meus colegas de ordenação, pedi a força para Lhe ser sempre fiel e totalmente Seu.
E veio o dia 12 com o iníco das chamadas “parábolas do reino”. Como estou agradecido a Mateus que numa mestria singular me explica em 3 domingos, com o recurso a parábolas, que a vida em e com Ele inicia com a escuta e cumprimento da palavra (saiu o semeador a semear...). Deslumbrante e emocionante. Vi-me, qual terreno areoso, a tentar produzir o fruto que teimava em surgir.
Quando, e era já o dia 19, o mesmo Mateus, sorrindo, me explica: só produzirás fruto se, como semeador, fores “manso e humilde”. Jamais na tua altivez e arrogância poderás tornar-te terreno fértil no qual a semente (palavra) do semeador poderá produzir em abundância. Estava na praia e mergulhei nas águas frias e salgadas apenas para “arrefecer as ideias”. Emergindo do silêncio das areias profudnas vejo-me pequeno, humilde e manso de coração. E ao sol que se punha no horizonte gritei a minha alegria por ser tocado pela Palavra.
Interrompi depois o tempo de descanso para me reencontar de novo com Mateus. Era o dia 26, e num puxão de orelhas merecido sussurava-me que para ser manso e humilde deveria ser capaz de “vender tudo e comprar a párola encontrada”. Qual pérola, perguntei-me? Essa da arte de saber viver e ser feliz. E eis-me na casa de penhores pronto a trocar tudo o que tenho e sou para ficar com aquela pérola que só por fé acrecditei ser maior que tudo. E negociei. Sem nada, sem títulos, sem registos de propriedade, apenas com uma pedra na mão. Pensei que o sol me teria feito mal: estaria louco?
E eis-me de convite na mão na porta de entrada de um banquete sem hora nem morada. Era o dia 2 de agosto. Pão e peixe foram o menu de uma refeiçao que jamais esquecerei porque foi feita não de comida mas de olhares, sorrisos e palavras. Na mesa sob a Tua presidência, senti-me amado, apreciado e querido. Perdi a fome e não comi. Estava satisfeito. Olhei-te muitas fezes no decorrer da refeição, sorriste-me e até o olho piscaste. Fiquei sem geito, envergonhado mas tão feliz.....
E aqui estou agora. Em tua casa. na tua sala de jantar na tua mesa e na tua refeição. E estou feliz.... muito feliz.
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