segunda-feira, 3 de agosto de 2020

estou feliz

Maravilhado e até comovido, assim fiquei, ao descobrir e ao refletir a caminhada da liturgia nestes meses de verão. Com 28 anos de sacerdócio nunca como este ano havia reparado nesta beleza e neste desafio. Estou, por isso, grato à Igreja que desenvolveu e esquematizou o ano litúrgico e a caminhada litúrgica.
Julho iniciou com o desafio a deixar as “obras da carne para nos afeiçoarmos ás do Espírito”. Na sombra de uma tarde soalheira questionei-me: como posso fazer isso?”. Eu queria mesmo deixar as obras da carne e entregar-me fielmente ás do Espírito. Era o dia 5 de julho e eu celebrava os meus 28 anos de sacerdócio. Reunido com os meus colegas de ordenação, pedi a força para Lhe ser sempre fiel e totalmente Seu.
E veio o dia 12 com o iníco das chamadas “parábolas do reino”. Como estou agradecido a Mateus que numa mestria singular me explica em 3 domingos, com o recurso a parábolas, que a vida em e com Ele inicia com a escuta e cumprimento da palavra (saiu o semeador a semear...). Deslumbrante e emocionante. Vi-me, qual terreno areoso, a tentar produzir o fruto que teimava em surgir.
Quando, e era já o dia 19, o mesmo Mateus, sorrindo, me explica: só produzirás fruto se, como semeador, fores “manso e humilde”. Jamais na tua altivez e arrogância poderás tornar-te terreno fértil no qual a semente (palavra) do semeador poderá produzir em abundância. Estava na praia e mergulhei nas águas frias e salgadas apenas para “arrefecer as ideias”. Emergindo do silêncio das areias profudnas vejo-me pequeno, humilde e manso de coração. E ao sol que se punha no horizonte gritei a minha alegria por ser tocado pela Palavra.
Interrompi depois o tempo de descanso para me reencontar de novo com Mateus. Era o dia 26, e num puxão de orelhas merecido sussurava-me que para ser manso e humilde deveria ser capaz de “vender tudo e comprar a párola encontrada”. Qual pérola, perguntei-me? Essa da arte de saber viver e ser feliz. E eis-me na casa de penhores pronto a trocar tudo o que tenho e sou para ficar com aquela pérola que só por fé acrecditei ser maior que tudo. E negociei. Sem nada, sem títulos, sem registos de propriedade, apenas com uma pedra na mão. Pensei que o sol me teria feito mal: estaria louco?
E eis-me de convite na mão na porta de entrada de um banquete sem hora nem morada. Era o dia 2 de agosto. Pão e peixe foram o menu de uma refeiçao que jamais esquecerei porque foi feita não de comida mas de olhares, sorrisos e palavras. Na mesa sob a Tua presidência, senti-me amado, apreciado e querido. Perdi a fome e não comi. Estava satisfeito. Olhei-te muitas fezes no decorrer da refeição, sorriste-me e até o olho piscaste. Fiquei sem geito, envergonhado mas tão feliz.....
E aqui estou agora. Em tua casa. na tua sala de jantar na tua mesa e na tua refeição. E estou feliz.... muito feliz.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

por entre caminhos

Que bom estar só, sem compromissos e sem horários . Ganho assim tempo para te procurar. E corro de peito feito ao vento e corro mais e mais ... quero encontrar-te.
Onde estás? Por onde devo seguir ? Pergunto-me e não sei ... 
E fico-me parado e mudo, mas feliz porque dentro de mim sinto-te tão perto e tão próximo. 
Procuro-te e não sei de ti ; mas sinto e sei que te vou encontrar . Não sei quando não sei onde mas sei ... sim sei que vou encontrar-te ( algo em mim me diz que já te encontrei) . 
Que bom sentir-te aqui 

domingo, 12 de julho de 2020

manhãs de outono

Dias quentes de verão ....
Lembro as frias manhãs de outono
Quando o sol é mais amarelo
As sombras são mais envergonhadas
E faz frio 
Procuro-te nessas mangas 
Como nestes dias 
E não te encontro 
E não sei de ti 
Porque não sei onde te procurar .
Onde estás ? 

sábado, 23 de maio de 2020

longe da mão

ASCENSÃO DO SENHOR Longe da Mão, mais perto do coração
Num ápice e de forma anormal, vivemos a Quaresma, celebramos a Páscoa e estamos na reta final do Tempo Pascal. Este domingo celebramos na liturgia a Ascensão do Senhor.
Na base da celebração está um acontecimento e um fato: durante algum tempo depois de ressuscitar dos mortos, Jesus foi visto pelos discípulos e por muitas outras pessoas que com Ele conviveram e permaneceram. Essas visões aconteceram por um período que, por razões litúrgicas, se fixou em 40 dias (este é um número que marca muito a caminhada da fé, por isso pode não haver precisão cronológica, mas há certamente preocupação litúrgica na sua calendarização). Para assinalar o momento os relatos falam de uma despedida de Jesus num cenário algo impensável e digno de um filme com efeitos visuais muito ao gosto dos tempos modernos: “enquanto falava com eles foi elevado ao céu e desapareceu por entre as nuvens...”.
Depois, ainda no contexto narrativo, é o próprio escritor que desde logo deixa indícios para uma interpretação de fé que, essa sim, não pode deixar de nos tocar ainda hoje. Diz o autor que “enquanto olhavam os céus pasmados e admirados, apareceram uns personagens que lhes perguntaram e interpelaram «porque estais a olhar para o céu? Esse Jesus que vistes subir e desaparecer aparecerá de novo no fim dos tempos». E o simbolismo da “descida” do monte para regressar às ruas da cidade, define o sentido do acontecimento. Sim, Jesus teve uma vida terrena com princípio, meio e fim e como qualquer ser humano, chegado o termo da sua vida foi-se embora (“foi para o céu”). Agora não está mais presente da mesma forma como antes estava. A sua subida ao céu não significou afastamento, isolamento ou abandono. Não, agora, porque não está como estava, torna-se possível que esteja mais presente do que estava antes. Sem limites espácio-temporais, Jesus torna-se presente em todo o universo e em todas as vidas: “ ide e ensinai todos os povos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo; e Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. O espaço (todo o mundo) e o tempo (até ao fim dos tempos), são dominados por Jesus, o mesmo é dizer que Ele agora é o Senhor da terra e do céu, de ontem de hoje e de sempre. A realidade que na Vigília da Páscoa cravamos no Círio que então acendemos, torna-se agora uma realidade: Jesus Cristo (Alfa e ómega), o Principio e o fim, ontem hoje e por toda a eternidade,; a Ele pertencem o tempo e a historia”.
A celebração da Ascensão está longe de ser uma celebração de encerramento ou despedida, pelo contrário, ela assinala o início da nova criação, o novo povo do Senhor, os novos céus e a nova terra. O povo percebendo bem este sentido renovador e iniciador, associou o momento à recolha das espigas dos campos, com as quais se alimentava a esperança de um futuro próspero e farto. Celebrar a Ascensão é afirmar a presença e a realeza de Jesus nas nossas vidas, nas nossas comunidades e nas nossas cidades. Este ano, mais que nunca e melhor que nunca, dadas as circunstancias que vivemos, esta celebração tem um sentido mais profundo e é vivida de forma mais consciente e segura. Nunca como nestes dias tivemos a oportunidade para afirmar a realeza e o triunfo do Senhor. Ele está vivo, sim, e vive no meio de nós.
Não deixemos também de sublinhar a verdade desta presença que se manifesta sacramentalmente na hóstia consagrada, mas que, por indicação do próprio Jesus, se realiza também na união dos crentes: “onde dois ou três se reunirem em meu nome... Eu estarei no meio deles”. Nós cristãos precisamos de valorizar mais esta presença, não é tão palpável nem

 tão exuberante como a sacramental.... Mas é igualmente real. Onde está Jesus hoje?; sim está na hóstia consagrada. Mas também está na comunidade reunida em seu nome. Ou seja, na comunidade reunida no amor e na verdade.
Valorizemos estas presenças de Jesus e então a Ascensão será o cumprimento pleno do mote popular: “Longe da mão... mais perto do coração”.
N.B. Próximo fim de semana retomaremos as celebrações na paróquia 

domingo, 3 de maio de 2020

orgulho de ser teu

Procuro por ti .... é noite e estamos fechados em casa 
Procuro-te em casa e não te encontro 
Procuro-te nos livros na tv e até no jornal 
Mas não te vejo ...
Procuro-te e não te encontro 
E tenho fome de ti 
E a noite quando me deito 
Encontro-te 
Porque és minha mãe é porque sei que não me esqueces nem me deixas mesmo que há 44 anos tenhas saído da minha vida 
Mãe doce e querida .... tenho orgulho de seres minha mãe e tenho orgulho de ser teu filho

Obrigado mamã

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

presépio

É natal .... la fora faz frio e estamos aqui no quente do nosso estábulo 
Deitado, despido, desprotegido 
E contemplo a Tua inocência, quase ingenuidade 
E sei que te quero
E sei que és meu 
E sei que por mim aqui estás.
Faz frio lá fora 
Fico aqui contigo 

tantas vezes

Tantas vezes te procurei sem te encontrar
Tantas vezes te amei sem te conhecer
Tantas vezes te falei sem te ouvir
Tantas vezes tão longe e tão perto. 
Queria-te aqui e não estás
Queria levar-te e não te tinha 
Queria ficar contigo e não me quiseste
Tantas vezes foi noite e não dormi
Tantas vezes era manhã e não acordei 
E fiquei no silêncio do que sou e não conheço 
Mas estás em mim .... e aqui ficarás ....