quarta-feira, 16 de setembro de 2020

procuro por ti

 Esta fome ou sede que sinto vai-me definhando e vou assim morrendo lentamente....

É fome de ti e de me alimentar de ti
É sede de ti e de me nutrir de ti 
E corre-me nas veias mais que o meu sangue 
E enche-me e preenche-me 
E mata-me e dá-me vida 
Quero-te onde quer que estejas 
Quero ser teu e quero que sejas meu 
Onde quer que nos encontremos 
Vou viver sempre em busca de ti
Morrerei a procurar-te 
Mas enquanto te procurar estarei vivo e nunca morrerei

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

estou feliz

Maravilhado e até comovido, assim fiquei, ao descobrir e ao refletir a caminhada da liturgia nestes meses de verão. Com 28 anos de sacerdócio nunca como este ano havia reparado nesta beleza e neste desafio. Estou, por isso, grato à Igreja que desenvolveu e esquematizou o ano litúrgico e a caminhada litúrgica.
Julho iniciou com o desafio a deixar as “obras da carne para nos afeiçoarmos ás do Espírito”. Na sombra de uma tarde soalheira questionei-me: como posso fazer isso?”. Eu queria mesmo deixar as obras da carne e entregar-me fielmente ás do Espírito. Era o dia 5 de julho e eu celebrava os meus 28 anos de sacerdócio. Reunido com os meus colegas de ordenação, pedi a força para Lhe ser sempre fiel e totalmente Seu.
E veio o dia 12 com o iníco das chamadas “parábolas do reino”. Como estou agradecido a Mateus que numa mestria singular me explica em 3 domingos, com o recurso a parábolas, que a vida em e com Ele inicia com a escuta e cumprimento da palavra (saiu o semeador a semear...). Deslumbrante e emocionante. Vi-me, qual terreno areoso, a tentar produzir o fruto que teimava em surgir.
Quando, e era já o dia 19, o mesmo Mateus, sorrindo, me explica: só produzirás fruto se, como semeador, fores “manso e humilde”. Jamais na tua altivez e arrogância poderás tornar-te terreno fértil no qual a semente (palavra) do semeador poderá produzir em abundância. Estava na praia e mergulhei nas águas frias e salgadas apenas para “arrefecer as ideias”. Emergindo do silêncio das areias profudnas vejo-me pequeno, humilde e manso de coração. E ao sol que se punha no horizonte gritei a minha alegria por ser tocado pela Palavra.
Interrompi depois o tempo de descanso para me reencontar de novo com Mateus. Era o dia 26, e num puxão de orelhas merecido sussurava-me que para ser manso e humilde deveria ser capaz de “vender tudo e comprar a párola encontrada”. Qual pérola, perguntei-me? Essa da arte de saber viver e ser feliz. E eis-me na casa de penhores pronto a trocar tudo o que tenho e sou para ficar com aquela pérola que só por fé acrecditei ser maior que tudo. E negociei. Sem nada, sem títulos, sem registos de propriedade, apenas com uma pedra na mão. Pensei que o sol me teria feito mal: estaria louco?
E eis-me de convite na mão na porta de entrada de um banquete sem hora nem morada. Era o dia 2 de agosto. Pão e peixe foram o menu de uma refeiçao que jamais esquecerei porque foi feita não de comida mas de olhares, sorrisos e palavras. Na mesa sob a Tua presidência, senti-me amado, apreciado e querido. Perdi a fome e não comi. Estava satisfeito. Olhei-te muitas fezes no decorrer da refeição, sorriste-me e até o olho piscaste. Fiquei sem geito, envergonhado mas tão feliz.....
E aqui estou agora. Em tua casa. na tua sala de jantar na tua mesa e na tua refeição. E estou feliz.... muito feliz.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

por entre caminhos

Que bom estar só, sem compromissos e sem horários . Ganho assim tempo para te procurar. E corro de peito feito ao vento e corro mais e mais ... quero encontrar-te.
Onde estás? Por onde devo seguir ? Pergunto-me e não sei ... 
E fico-me parado e mudo, mas feliz porque dentro de mim sinto-te tão perto e tão próximo. 
Procuro-te e não sei de ti ; mas sinto e sei que te vou encontrar . Não sei quando não sei onde mas sei ... sim sei que vou encontrar-te ( algo em mim me diz que já te encontrei) . 
Que bom sentir-te aqui 

domingo, 12 de julho de 2020

manhãs de outono

Dias quentes de verão ....
Lembro as frias manhãs de outono
Quando o sol é mais amarelo
As sombras são mais envergonhadas
E faz frio 
Procuro-te nessas mangas 
Como nestes dias 
E não te encontro 
E não sei de ti 
Porque não sei onde te procurar .
Onde estás ? 

sábado, 23 de maio de 2020

longe da mão

ASCENSÃO DO SENHOR Longe da Mão, mais perto do coração
Num ápice e de forma anormal, vivemos a Quaresma, celebramos a Páscoa e estamos na reta final do Tempo Pascal. Este domingo celebramos na liturgia a Ascensão do Senhor.
Na base da celebração está um acontecimento e um fato: durante algum tempo depois de ressuscitar dos mortos, Jesus foi visto pelos discípulos e por muitas outras pessoas que com Ele conviveram e permaneceram. Essas visões aconteceram por um período que, por razões litúrgicas, se fixou em 40 dias (este é um número que marca muito a caminhada da fé, por isso pode não haver precisão cronológica, mas há certamente preocupação litúrgica na sua calendarização). Para assinalar o momento os relatos falam de uma despedida de Jesus num cenário algo impensável e digno de um filme com efeitos visuais muito ao gosto dos tempos modernos: “enquanto falava com eles foi elevado ao céu e desapareceu por entre as nuvens...”.
Depois, ainda no contexto narrativo, é o próprio escritor que desde logo deixa indícios para uma interpretação de fé que, essa sim, não pode deixar de nos tocar ainda hoje. Diz o autor que “enquanto olhavam os céus pasmados e admirados, apareceram uns personagens que lhes perguntaram e interpelaram «porque estais a olhar para o céu? Esse Jesus que vistes subir e desaparecer aparecerá de novo no fim dos tempos». E o simbolismo da “descida” do monte para regressar às ruas da cidade, define o sentido do acontecimento. Sim, Jesus teve uma vida terrena com princípio, meio e fim e como qualquer ser humano, chegado o termo da sua vida foi-se embora (“foi para o céu”). Agora não está mais presente da mesma forma como antes estava. A sua subida ao céu não significou afastamento, isolamento ou abandono. Não, agora, porque não está como estava, torna-se possível que esteja mais presente do que estava antes. Sem limites espácio-temporais, Jesus torna-se presente em todo o universo e em todas as vidas: “ ide e ensinai todos os povos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo; e Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. O espaço (todo o mundo) e o tempo (até ao fim dos tempos), são dominados por Jesus, o mesmo é dizer que Ele agora é o Senhor da terra e do céu, de ontem de hoje e de sempre. A realidade que na Vigília da Páscoa cravamos no Círio que então acendemos, torna-se agora uma realidade: Jesus Cristo (Alfa e ómega), o Principio e o fim, ontem hoje e por toda a eternidade,; a Ele pertencem o tempo e a historia”.
A celebração da Ascensão está longe de ser uma celebração de encerramento ou despedida, pelo contrário, ela assinala o início da nova criação, o novo povo do Senhor, os novos céus e a nova terra. O povo percebendo bem este sentido renovador e iniciador, associou o momento à recolha das espigas dos campos, com as quais se alimentava a esperança de um futuro próspero e farto. Celebrar a Ascensão é afirmar a presença e a realeza de Jesus nas nossas vidas, nas nossas comunidades e nas nossas cidades. Este ano, mais que nunca e melhor que nunca, dadas as circunstancias que vivemos, esta celebração tem um sentido mais profundo e é vivida de forma mais consciente e segura. Nunca como nestes dias tivemos a oportunidade para afirmar a realeza e o triunfo do Senhor. Ele está vivo, sim, e vive no meio de nós.
Não deixemos também de sublinhar a verdade desta presença que se manifesta sacramentalmente na hóstia consagrada, mas que, por indicação do próprio Jesus, se realiza também na união dos crentes: “onde dois ou três se reunirem em meu nome... Eu estarei no meio deles”. Nós cristãos precisamos de valorizar mais esta presença, não é tão palpável nem

 tão exuberante como a sacramental.... Mas é igualmente real. Onde está Jesus hoje?; sim está na hóstia consagrada. Mas também está na comunidade reunida em seu nome. Ou seja, na comunidade reunida no amor e na verdade.
Valorizemos estas presenças de Jesus e então a Ascensão será o cumprimento pleno do mote popular: “Longe da mão... mais perto do coração”.
N.B. Próximo fim de semana retomaremos as celebrações na paróquia 

domingo, 3 de maio de 2020

orgulho de ser teu

Procuro por ti .... é noite e estamos fechados em casa 
Procuro-te em casa e não te encontro 
Procuro-te nos livros na tv e até no jornal 
Mas não te vejo ...
Procuro-te e não te encontro 
E tenho fome de ti 
E a noite quando me deito 
Encontro-te 
Porque és minha mãe é porque sei que não me esqueces nem me deixas mesmo que há 44 anos tenhas saído da minha vida 
Mãe doce e querida .... tenho orgulho de seres minha mãe e tenho orgulho de ser teu filho

Obrigado mamã

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

presépio

É natal .... la fora faz frio e estamos aqui no quente do nosso estábulo 
Deitado, despido, desprotegido 
E contemplo a Tua inocência, quase ingenuidade 
E sei que te quero
E sei que és meu 
E sei que por mim aqui estás.
Faz frio lá fora 
Fico aqui contigo