quarta-feira, 6 de agosto de 2025

banco de Praça I

Sentei-me no banco da praça.
 Está agora mais calma , porque as ultimas semanas têm sido de constante movimento. Dias longos foram dias de festa. 
Agora os dias já são mais curtos ( já è noite) e a praça voltou ao silêncio . 
Gosto dos dois momentos. Mas prefiro este . 
Agora a praça è minha , e da Thalita, minha companheira. 
Sento-me no banco e solto-a.
Fico a pensar …..
Gosto da noite calma e tranquila. Gosto de ouvir os grilos a cantar ( è assim que se diz?) e gosto de ficar aqui a pensar . 
Hoje è o primeiro post feito aqui… será, espero, o primeiro de muitos em que esplanarei os meus pensamentos, porque penso vir aqui todos os dias . 
Agora estou desejoso que cheguem as noites escuras, frias e silênciosas.
 Veremos . 
Até amanhã . 
Amo esta tranquilidade . 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

cúmplices

Há 9 meses entraste  na minha vida de forma abrupta e  impositiva. Confesso que a primeira vez que te vi não me atraíste . Jamais pensei eu ser teu e tu seres minha. (Desculpa).
Depois cruzamo-nos . O mais marcante para mim não foste tu; foram as condições em que te encontrei . Pedi ajuda, desabafei . Alguém me disse para te adotar . 
Revoltado aceitei . 
Lembro o primeiro dia, as tentativas de proximidade . Lembro o teu medo e a minha curiosidade . 
Anuíste e a noite foi já nossa, ainda que á distância. 
A primeira manhã trouxe confiança, a fome abriu o caminho . 
Depois os dias foram aproximando e os momentos foram-se multiplicando . Lembro -os todos . 
Por fim ( o que ainda retenho) as noites passadas no banco de jardim lado a lado em silencio apenas com olhares cúmplices . Lembras? 
Depois is longos e relaxantes passeios a luz da lua… alguns a chuva.  
Contigo fui então feliz . 
Acredito que tu também . 
Agora tudo acabou . Estou so e tu já ca não estás . 
Doi estar so . Quero acreditar que estás em PAZ. 

quinta-feira, 8 de maio de 2025

novo ciclo

Hoje começa um novo ciclo para a Igreja . O futuro é incerto e faz-se de confiança e de fé. 
Chegou o dia e o tempo de também eu regressar ao ciclo da comunicação . Por isso, depois de  longo silêncio , volto a dar vida ( a minha vida) a este blog. 
Passaram alguns anos …. Estou mais velho e mais cego ( quase não vejo o que escrevo) … mas algo me diz que chegou o momento . 
Sem programa sem tema sem imposição aqui estou pura e simplesmente para partilhar . 
Sigo as pegadas de alguém que por estes dias nos vai deixar . Professor, amigo, cúmplice …em sua honra e homenagem regresso .
Estejam atentos 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

eu queria …

Eu queria ser cachorrinho 
Que come as migalhas da tua mesa 
Queria ser mulher indefesa
Que ousa estar contigo um pouquinho 

Eu queria ser como ela audaz 
Tocar-te no manto e ousar pedir 
Sem pensar no que podia de ti vir 
Sabendo apenas que tudo és capaz 

Eu queria ser humilde simples e pobre
Apenas acreditar e confiar em ti 
Sem medo de estar e viver aqui 
Acreditando que teu amor tudo cobre 

Eu queria ser todo teu e só teu
Queria ouvir tua palavra de confiança
Queria acreditar e ter esperança 
Sabendo que es inteiramente meu 

Eu queria ser teu 
Eu queria que fosses meu 


terça-feira, 22 de junho de 2021

sair ou ficar…

Espreitei apontamentos antigos; revi livros de ontem e deixei-me conduzir  pelos sentimentos. 
Na mente reencontrei-te; agora mais distante, mais estranho é mais austero . E tive medo. 
De fato não te falar todos os dias, não te ver e não te reencontrar leva ao desnorte e a solidão . Tenho medo …. Não sei se quero ficar ou se quero continuar longe . 
Preciso de ti….preciso que me indiques o caminho. 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

era a noite mais fria

Era a manhã mais fria de todas as manhãs . Acordava sonolento e reflexivo
Olhava a planície que se abria para la da janela
E gritava ao vento o teu nome.
Era a voz mais rouca e amarga de todas as vozes 
Gritava ao vento o t reg u nome 
E ouvia respostas feitas de silêncio 
E a nostalgia assentou arraiais em mim 
Era a dor mais profunda que sentia 
Fechei a janela e voltei a adormecer 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Noite fria

 

Noite fria

 

Nestes primeiros dias deste novo ano sinto tão perto a eternidade que chego a temer esta sensação. Não sei se por causa do Covid ou se pelo percurso normal da história, a morte tem estado presente todos os dias. A morte de conhecidos e de desconhecidos, é igual porque é sempre a morte.

A forma como sou agora obrigado a viver este momento faz-me tocar e sentir mais a verdade do mesmo. Pode parecer estranho, mas a verdade é que os funerais frios que fazemos neste tempo de pandemia, tornam-se mais quentes e mais vividos.

Agradeço a Deus por isso.!

A frieza destes funerais começa nas famílias que não podem ver, nem morto, aquele que amaram em vida. Muitas vezes essa morte é o culminar de um afastamento imposto pelo hospital, o que prolonga mais a sensação de solidão e abandono. Depois, a forma fria com que não são vestidos os nossos mortos; a ideia de que vão fechados num saco de plástico; a notícia fria que nos dão para “ir buscar o corpo” e a frieza de sermos poucos a estar no momento derradeiro; tudo isso culminando na frieza com que o mundo continua a girar indiferente ao sofrimento de quem sente todos estes frios, tudo junto faz com que os que pudemos estar ali nos últimos momentos demos mais valor ao adeus e à despedida.

Sem cortejos festivos, sem amigos presentes, sem lágrimas escorridas, e sem músicas suaves, assim se vão despedindo os que viveram connosco e até nos deram a vida. Com eles aprendemos a ser gente e com eles pisamos as ruas da nossa cidade. Agora nem um adeus, nem uma mão quente lhes damos no momento da despedida.

Dói ver esta forma fria de sepultar os mortos. Mas ao mesmo tempo, como disse, este nada e esta pobreza, transforma-se em riqueza interior. Só se faz presente quem verdadeiramente está presente; só compreende quem verdadeiramente partilha o momento; só escuta a Palavra quem verdadeiramente veio para escutar. E nunca como hoje sinto a verdade da oração e da fé no momento derradeiro.

Deus sempre se mostrou e se manifestou no vazio, na pobreza, na miséria no nada. E continua hoje a faze-lo de forma tão sublime que desperta em mim o desejo de ir agora ao seu encontro.

Fecharam as portas do cemitério; regressamos às nossas vidas e nas nossas casas frias  os ecrãs apresentam de forma fria os números de mais um dia de pandemia. Mas não pode haver frio que resista ao calor do sol destes dias soalheiros.