quinta-feira, 18 de maio de 2017

Elogio da simplicidade





Das virtudes que mais aprecio na vida humana e crista, a simplicidade sobressai ao pondo de perder a sua essência e deixar de ser simples. Torna-se grande por ser tão simples. Torna-se forte por ser tão simples.
Desde sempre apreciei a capacidade de ser simples, com tudo o que isso significa: natural, naif, verdadeiro e alegre. Sorrisos simples são arrasadores e palavras simples tocam no coração.
Da mesma forma estruturas e projetos simples acabam por baralhar e confundir os mais complexos e complicados esquemas mentais de muitas cabeças. Considero por isso uma arte, uma grande arte, a capacidade de “traduzir em miúdo” esquemas e ideias “graúdos”. E sei também quanto isso é difícil e arriscado.
A recente vitoria portuguesa no festival da canção eurovisão é mais uma demonstração de como a ingenuidade baralha e confunde; a atitude do Papa Francisco nos seus inúmeros desvios de protocolo arrasta multidões porque nesses momentos ele é natural, simples, algo infantil. Sim talvez seja isso mesmo que está em questão: temos uma força irresistível que nos atrai a sermos e a apreciarmos a criança que fomos e que o tempo nos obrigou a deixar de ser. O tempo? Talvez as manias complicadas dos esquemas mentais dos homens.
Parece que tudo seria tão simples e belo se todos tivéssemos a coragem ou a simplicidade de ser simples. Talvez seja esta uma utopia demasiado simples. Por isso também atrativa. Mas, por mim, quero rever-me nela e espero ser simples ao ponto de acreditar que ela é possível.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Trocas

Faltam as palavras que expressem os reais sentimentos que me preenchem o coração. Fico mudo e calado e a dor que sinto agudiza-se por ser calada e não ter voz. Nem gritos nem grunhidos têm lugar. Nada....Não há no mundo sons expressivos para transmitir o que sinto. Fico mudo e calado. Entrego-me nas tuas mãos e deixe-me levar. Para onde quiseres....  E eu sei onde me levas. Segredaste-me ao ouvido. Só tu.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Recomeçar



Recomeçar
Ecoa dentro de mim e enche-me o peito esta palavra, que na memora dos meus dias de infância surge musicada, num cântico de louvor e de esperança que não posso esquecer. Recordo dias e momentos de alguma atrofia vivencial, derrota, dúvida e desânimo, só superados com o simples escutar desta canção que escutava logo ao amanhecer. Dizia: “recomeçar é como renascer; é colorir toda a existência com as cores do arco iris; recomeçar é alimentar a esperança num futuro que nunca mais será vencido”.
Passaram os anos e as coisas mudaram. Hoje vivo imerso na vivencia de um caminho (via) que para cada momento e cada etapa me oferece um alimento singular. Chamam-lhe Ano Litúrgico e consiste na capacidade de dar a cada etapa da caminhada uma cor diferente. Cor, cheiro, sabor e sensibilidade. Às vezes esqueço-me e e quando dou por vi vejo que tudo passou ao lado. Outras vezes parece unha encravada em mim e não me deixa dormir sossegado.
Quaresmas, mais uma vez… é recomeçar. Ainda ontem era Páscoa e já estou agora envolvido nessa outra realidade tão singular e tão forte. Não posso, não quero, que o tempo passe assim tão depressa não aconteça que amanhã quando acordar seja já Natal.
Recomeçar…. Um desafio e uma esperança que este tempo singular aviva dentro de mim. Possa eu estar à altura de responder-lhe. Sim…desta vez será diferente. Tudo novo, tudo único. Também este tempo litúrgico será assim. Chegou a hora de acordar, porque a noite vai longa.
Boa Quaresma.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sessenta segundos

O tempo que não tenho é o tempo que me atrofia. Na rádio ouço uma entrevista a não sei quem. Só sei que se afirma e assume como um descontente na e com a vida . Voz grave doída e sofrida faz com que consiga imaginar um rosto triste e austero . Fala do tempo, que gostaria  não existisse porque as horas marcam um sofrimento cada vez mais sofrido. E diz que queria morrer se possível longe, sozinho e por todos esquecido e ignorado.
Paro o carro, dirijo para este ilustre desconhecido a minha prece. Peço que o tempo lhe seja favorável. Porque a mim o tempo que não tenho é que me atrofia. O que tenho é tão cheio e preenchido que chego a não ter tempo para maldizer o tempo. E queria que me desse o seu tempo para preencher.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Chove

Maravilha inigualavel em todo o universo es a fonte do amor e mais amor es quando ensinas a amar. Nascente inesgotavel que mais tem quando da o que tem. Lógica supra- humana que confunde as certezas da nossa lógica. Compreender-te é novidade inovadora.
Queria ser teu....só teu...todo teu. Mas a chuva que cai confunde-me e tenho medo. Fujo e busco abrigos onde nao estas. Porque tu ficaste na estrada indiferente a chuva que caia.
Um dia vou ter coragem...vou sair deste abrigo seguro e vou deixar que a chuva me molhe. Ficarei molhado...mas ficarei contigo maravilha Inigualavel em todo o universo

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

As rotinas que nos atrofiam



Parar por uns breves momentos e refletir sobre os caminhos percorridos, as velocidades alcançadas e as metas buscadas, traz o amargo gosto da constatação da inercia que habita em nós. Diz-se por aí que precisamos “sair da zona de conforto” porque na verdade vivemos demasiado seguros, tranquilos (?), nas nossas certezas de sempre. Preferimos na verdade o adágio que preconiza que “em equipa que ganha não se mexe” e aí vamos nós fechados nos hábitos, ditos e feitos de outros tempos. A todo o custo queremos implementa-los nos tempos que são outros e por vezes são até antagónicos. Como se pode hoje querer que os mais novos brinquem às escondidas como outrora fazíamos. Fazíamos porque não havia mais nada para fazer. Hoje com tanta variedade e tanta solicitação, porque teimar em fazer o que se fazia há 30, 40 ou 50 anos? 
E lentamente vamos matando o Espirito que há em nós e que se define precisamente por ser inovador e descobridor de novos caminhos.
E se aplicarmos à fé, à religião, estas ideias ficamos com um chuvilho de aberrações, alienações que para além de serem estéreis provocam até o afastamento e a distancia. Cheiram a bafio muitas das nossas igrejas e das nossas sacristias, porque nelas se amontoam esquemas, papeis e estratégias de outrora. E o bafio tende a tornar-se putrefacto e a gerar mortes lentas e agonizantes.
Precisamos muito de abrir as janelas e deixa entrar ar novo. Sim, mete medo (sobretudo para quem gosta de ficar instalado nas certezas de ontem), é um risco, mas é também um desafio e uma aventura que por si só (como gesto) fala da verdade que anima a nossa fé: “o vento sopra onde quer, ouves a sua voz mas não sabes de onde vem nem para onde vai” assim é o Espirito que anima a Igreja. Deixemos que esse ar entre na nossa sala. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Manhas

As noites foram frias e curtas, embora parecessem longas e quentes. Houve lagrimas e sorrisos. E a manha chegou coberta de gelo. Pensei ficar parado, pensei desistir. Depois atrevi-me e aqui estou de novo. Falaremos